DNA


O Destino está nos genes e o DNA é sua escritura. Assim se poderia descrever a estatura imaginária assumida pela molécula em formato de dupla hélice 50 anos depois de descoberta sua estrutura pelo americano James Watson e pelo britânico Francis Crick, com base na imagem de raios X.

Com esse estilo de compreensão da vida estreou também o de sua modificação, batizado como engenharia genética. Em meio século de pesquisa, a biotecnologia foi capaz de avanços como a produção em bactérias de proteínas humanas (como insulina), reduzindo efeitos colaterais para doentes de carne e osso.

O sucesso experimental e econômico da genética suscita, por outro lado, manifestações de desconforto. Um dos alvos é a própria genômica, que dominou a pesquisa biológica na última década. Até um protagonista da revolução molecular como Sydney Brenner vê com reservas tanta ênfase no sequenciamento.

Mais do que construir um modelo elegante que se revelaria correto em quase todos os detalhes, Watson e Crick puseram em cena a 7 de março de 1953 um estilo de pesquisa que ficaria conhecido como biologia molecular e atingiria sua apoteose no Projeto Genoma Humano.

Para além de seu sucesso material, a biologia molecular criou ainda um signo perturbador para a própria auto-imagem do homem. Na medida em que se associou com a informática e traduziu genes em bits, a biotecnologia iniciou uma era de apropriação do cerne da matéria viva e do humano que gera certo mal-estar e ao mesmo tempo abre novas perspectivas para pensar a fronteira entre natureza e cultura.




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