Ministério da Saúde ou da Doença?

     Muito se tem discutido na imprensa e no Congresso sobre o problema da saúde no Brasil. A maioria absoluta das discussões centra-se na insuficiência de recursos orçamentários para o custeio do SUS – Sistema Único de Saúde. A CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira -, que na sua origem iria resolver essa falta de dinheiro, mostrou-se incapaz de fazê-lo. Isto porque não param de crescer as necessidades de atendimento médico-hospitalar para a população.
     O Ministério da Saúde, incapaz de melhorar a saúde dos brasileiros por meio da prevenção, trabalha totalmente envolvido na administração financeira da cura dos doentes.
     Na medicina ocidental, os médicos são remunerados por consulta. Isso significa, na prática, que se não houver doentes, o médico morre de fome. No Oriente, ao contrário, em muitas localidades os médicos são remunerados pela ausência de doentes. Ou seja, a ausência de doentes numa vila demonstra a eficiência do profissional da saúde. Lá eles adotam o conceito de “médico da família”.
     Para a medicina oriental existe uma conexão entre o funcionamento do corpo e da mente. Muitas das “doenças” que a medicina tradicional tenta “curar”, na verdade têm um fundo psicossomático. Nesses casos os tratamentos clássicos são muito dispendiosos e, na maioria das vezes, são inócuos. Para os orientais, o ideal de saúde perfeita está associado a um processo educacional dos indivíduos em busca do equilíbrio entre mente e corpo. Por outro lado, a medicina oriental chama a atenção para o fato de que o corpo humano é invadido permanentemente por milhões de microorganismos, vírus e bactérias. O sistema imunológico, por natureza, consegue deter essas invasões. Somente quando o sistema imunológico fica debilitado é que a doença se instala.
     Nesse caso questionam-se as causas da debilitação das defesas do organismo.
     A primeira delas está ligada a deficiências alimentares. Uma alimentação não-balanceada corretamente em termos de proteínas, energéticos, vitaminas e sais minerais não nutre suficientemente, o que enfraquece a pessoa e, por conseqüência, suas defesas naturais.
     A falta de atividade física também concorre para o aparecimento de moléstias, entre as quais a obesidade e seus reflexos no coração, a fadiga, diversas formas de tensão e finalmente o estresse.
     Por último, desejo relacionar outra causa da redução das defesas imunológicas, que é o equilíbrio da mente. A força da mente pode ajudar na cura de muitas doenças, como testemunham inúmeros relatos médicos. A mente acossada pelo medo, raiva, ansiedade, culpa, angústia ou depressão pode gerar impulsos que desestabilizam o sistema hormonal, causando desequilíbrios orgânicos, enfraquecendo o sistema imunológico, o que abre as portas para os problemas de saúde.
     Para o Dr. Deepak Chopra, médico indiano, professor-assistente na Escola de Medicina da Universidade de Boston, EUA, a saúde tem origem em um só lugar: a mente. Para esse médico, no seu livro Conexão Saúde, Ed. Best-Seller, página 93, “a mente desempenha um papel crucial na gênese de todas as disfunções”. Na opinião do Dr. Chopra, “isso é verdadeiro em relação a qualquer doença. As úlceras ocorrem em pessoas tensas e ansiosas.      A colite ulcerativa, uma disfunção intestinal dolorosa, aflige os compulsivos e obsessivos. A impotência e vários outros distúrbios sexuais são causados pela ansiedade de desempenho”.
     É evidente que os métodos que aproveitam a capacidade curativa natural do nosso corpo ou as propriedade curativas de plantas e alimentos adequados são muito mais baratos que o uso da alta tecnologia da medicina ocidental moderna.
Essa idéias indicam caminhos alternativos para a Saúde Pública no Brasil, principalmente na prevenção de doenças. E isso pode ser feito pelo governo, como também por organizações privadas.

     *Affonso Camargo Neto é deputado federal , Diretor Emérito da Abiani, foi ministro dos Transportes por duas vezes e senador da República

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