Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, anunciam na revista “Nature”, uma proeza: a descoberta do mecanismo bioquímico Sir2. Eles revelaram que a proteína impede a superutilização dos genes e que aumenta quando o alimento é pouco. O regime de restrição calórica constitui o único método comprovado para prolongar a duração da vida. Funciona com micróbios (levedura), moscas (drosófila), vermes (C. elegans), roedores e até, aparentemente, primatas. Atrasar o encontro fatal comendo menos pode, no entanto, ter conseqüências funestas. Ao menos com camundongos submetidos a regimes drásticos verificou-se que o aumento obtido na longevidade (até 100%) vem acompanhado de infertilidade. O fato é que a equipe de Leonard Guarente parece estar numa pista promissora para entender os mecanismos básicos do envelhecimento. Como em tudo na pesquisa biológica atual, os genes estão diretamente envolvidos. Para poder funcionar, cada célula – seja de levedura, verme ou ser humano – precisa usar as receitas de proteínas guardadas nos genes. A coisa se resume num paradoxo: células e organismos precisam usar os genes para viver, mas, quanto mais usam os genes, mais aceleram a morte. Isto tudo, claro, se não existisse Sir2. Esta proteína transforma o cromossomo numa fortaleza quase inexpugnável, impedindo que seja desenrolado e lido. A façanha ocorre porque o Sir2 tem grande afinidade com um dos pontos vulneráveis da cidadela genética, as histonas. Esses discos de proteínas funcionam como carretéis, em torno dos quais se enrola o DNA. Como no caso de uma ponte levadiça, sua desativação dá acesso ao castelo. Com Sir2 montando guarda sobre as histonas, a fortaleza se isola e os genes são silenciados. Os telômeros não se desgastam, surgem menos círculos de DNA, a cromatina permanece firme. Radicais livres O experimento de Guarente mostrou, ainda, que o nível de Sir2 nas células é inversamente proporcional ao seu consumo de energia. Quanto mais alimento é consumido para gerar energia, inundando a célula de radicais livres, menos sir2 está disponível. A intermediação, verificou a equipe do MIT, é feita por uma espécie de molécula-sensor, a NAD. Como está diretamente envolvida na produção de energia, quando cai o consumo (restrição calórica) sobra mais NAD no meio celular, o que estimula a produção de Sir2 e põe mais mordaças nos genes. Marcos Leite
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